A primeira consulta ao ginecologista

A primeira visita ao ginecologista é sempre motivo de ansiedade, e em se tratando de crianças e adolescentes, a ansiedade é dupla: da paciente e dos pais. Esclarecendo as dúvidas mais frequentes, esperamos desmistificar esse momento e torná-lo o que ele realmente é: uma boa oportunidade de cuidar da saúde e de conhecer seu corpo.



Com que idade as meninas devem fazer sua primeira consulta?

Diferentemente da adulta, a criança e a adolescente não precisam da consulta rotineira anual. Devem procurar o ginecologista em qualquer idade que houver queixas ou dúvidas (mesmo em bebês). Recomendamos, também, ao menos uma consulta rotineira quando o corpo começar a mudar para o de mocinha, para que possamos avaliar se o desenvolvimento puberal está ocorrendo como o esperado. No início da atividade sexual (ou até um pouco antes, se possível), é importante que as consultas passem a ser mais frequentes, para que a adolescente possa ser orientada quanto a métodos anticoncepcionais e práticas de sexo seguro. Durante a consulta, procuramos também orientar as meninas quanto ao autocuidado, respeito e amor próprio e relacionamento com os pais.


O exame ginecológico é obrigatório?

Não. Se houver queixas relacionadas diretamente à genitália (corrimento, dor, lesões genitais), é indispensável que examinemos para saber o que está acontecendo. Mas há situações em que o exame pode esperar até que a paciente se sinta à vontade com o médico, o que pode ocorrer na segunda ou terceira visita. Se a menina se recusar terminantemente ao exame e o mesmo não for indispensável, respeitamos a vontade dela para que não haja um trauma desnecessário, mas isso é raro ( ;-) com jeitinho, paciência e uma boa conversa, tudo dá certo, não é?)


Como é feito o exame ginecológico?

Na criança e na adolescente virgem, o exame mais comum é a simples observação externa das mamas e da genitália. Em casos excepcionais, quando há necessidade de um exame mais profundo (coleta de material, visualização do interior do canal vaginal) isso é explicado previamente para a menina e para a mãe e feito com muito cuidado e paciência, para que não seja traumático.

Em meninas muito novinhas (0-2 anos), frequentemente resistentes ao exame físico, este pode ser realizado no colo da mãe, o que traz muito mais tranquilidade à criança.

Na paciente que já iniciou a atividade sexual, o exame é semelhante ao da adulta, com exame da genitália interna e externa, mas sempre feito com muito carinho para que não haja incômodo.


A presença de um responsável na consulta é obrigatória?

No caso de crianças, sim, uma vez que elas ainda não respondem por si. Adolescentes têm direito a acompanhante, mas não são obrigadas a terem um. Até os 14 anos, costumam sentir-se mais seguras com a mãe a seu lado durante a conversa e o exame. À medida que adquire autonomia, a menina já pode ir à consulta sozinha, se assim preferir.

A adolescente tem direito à privacidade durante a consulta e no exame ginecológico, mesmo que seja menor de idade e mesmo que já tenha iniciado a vida sexual. Isso comumente as deixa mais à vontade e ajuda no seu processo de amadurecimento no cuidado consigo. Apesar disso, são sempre encorajadas a conversar com seus pais e em tê-los como seus maiores aliados quando o assunto é saúde e segurança emocional.


O que foi conversado com a adolescente será dito ao responsável?

Na maioria das vezes, não dizemos aos pais o que foi discutido na consulta, pois as adolescentes possuem direito a sigilo e privacidade. Esse sigilo só deve ser quebrado quando houver suspeita de abuso, violência ou situações de risco para a menina, ou quando a mesma não puder ser considerada capaz de responder por si (pacientes com necessidades mentais especiais, por exemplo).


Viu só? Esse bicho tem bem menos que sete cabeças! O importante é se cuidar e buscar atendimento profissional de qualidade, de preferência com um ginecologista preparado para atender esse público tão peculiar; dentre eles, o ginecologista infanto-puberal tem formação específica para lidar com essas pequenas mulheres.

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