De peito aberto: A saúde da mama na adolescência




À medida que as mamas se desenvolvem durante a puberdade, alguns problemas podem e aparecer e, na falta de orientação adequada, tendem a tirar o sono da adolescente e de seus pais. Mas podem respirar aliviadas, meninas! A grande maioria das alterações mamárias na adolescência é composta por lesões simples e sem gravidade.


São comuns as seguintes queixas:


Desenvolvimento das mamas cedo demais ou com atraso: As mamas começam seu desenvolvimento em média entre 9 e 10 anos, e comumente é o primeiro sinal de puberdade. Nos chama a atenção e nos leva à investigação o aparecimento de mamas antes dos 8 anos (puberdade precoce) ou depois dos 14. Nesse enorme intervalo entre 8 e 14 anos, o desenvolvimento acontecerá no ritmo de cada menina e não há motivos para preocupação.


Mamas pequenas ou grandes: Mamas vêm em todas as formas e tamanhos, tudo depende da genética, dos hormônios circulantes e da capacidade de resposta delas a esses hormônios. Nós devemos nos orgulhar de nossas mamas como elas são: isso nos torna únicas. Só devemos buscar ajuda profissional caso não haja nenhum desenvolvimento ou caso as mamas sejam exageradamente grandes, a ponto de levar a alterações de coluna e postura.


Dor mamária: Próximo ao período menstrual, é comum apresentarmos sensibilidade nas mamas devido às alterações hormonais. Apesar de normal, esse sintoma pode ser controlado para o nosso conforto. Devemos investigar a dor quando ela persiste fora do período menstrual, ou quando é muito intensa, ou ainda quando vem acompanhada de outros sintomas ou sinais (vermelhidão, nódulos, febre).


Mamas de tamanhos diferentes: Todas nós temos uma mama maior que a outra, em geral foi também a que “nasceu” primeiro e a que se desenvolveu mais rápido, pois existe uma diferença, ainda que pequena, na resposta de cada uma delas aos nossos hormônios femininos. A assimetria, por si só, não é doença e nem motivo para nenhum tratamento. Mas quando a diferença é muito grande (3 ou mais números de sutiã), persiste mesmo após o completo desenvolvimento mamário e causa muito incômodo na menina, podemos lançar mão de “ajustes” no tamanho das mamas.


Secreção nos mamilos: Eventualmente, os mamilos podem apresentar saída de líquido com características diversas, seja amarelado, branco, amarronzado, leitoso, pegajoso, fluido... Quando isso ocorre em meninas que não estão grávidas e nem amamentando, o motivo pode ser o uso de medicamentos, alterações hormonais, e algumas alterações benignas. Essas pacientes devem sempre ser avaliadas, com especial atenção àquelas que apresentam secreção com sangue, pus ou em forma de água límpida.


Nódulos mamários: É comum recebermos no consultório adolescentes preocupadas e mães sem dormir porque notaram a presença de um nódulo na mama da menina. Nessa fase, os nódulos benignos são infinitamente mais frequentes, sendo que os mais comuns são os fibroadenomas (semelhantes a “bolinhas de gude”, são móveis e indolores) e cistos (pequenas bolsinhas de fluido que podem às vezes causar dor). Ao palpar qualquer caroço em sua mama, procure seu ginecologista ou mastologista que podem, através do exame físico e de exames complementares (como a ultrassonografia mamária), orientar quanto ao diagnóstico e tranquilizar seu coração.



Câncer de mama: Esse é um dos principais temores de todas as mulheres em qualquer idade, já que é o segundo tipo mais frequente de câncer em mulheres no Brasil e no mundo e a doença que mais mata mulheres no Brasil. Felizmente, é extremamente raro em adolescentes (0,2 a cada 100.000 casos), e por isso o rastreamento do câncer de mama não é indicado de rotina nessa faixa etária.

Apesar de raríssimo até os 18 anos, isso não significa que as meninas não possam e não devam se preocupar com o câncer de mama, pois atitudes tomadas na adolescência diminuem o risco da doença na vida adulta, e prevenção é bem-vinda em qualquer idade. A alimentação equilibrada e a prática de exercícios são essenciais para a prevenção, uma vez que o excesso de peso aumenta o risco de desenvolver a doença, e quanto maior o tempo de exposição do organismo ao sobrepeso e à obesidade, maior o tempo de exposição ao risco. A ingestão de álcool também é fator de risco para esse tipo de tumor, mesmo em quantidades moderadas, portanto evitar esse consumo na adolescência também contribui para a saúde da sua mama (e de todo o seu corpo). O tabaco (seja cigarro ou narguilé) também aumenta o risco de diversos cânceres.


O auto-exame das mamas tem seu valor frequentemente questionado no diagnóstico precoce do câncer, e isso é especialmente verdade quando o assunto é adolescente. Mas ele tem grande valor em te ajudar a conhecer seu corpo, acompanhar seu desenvolvimento e notar lesões benignas que mereçam tratamento.


Aprenda a fazer:

Foto: hercampus.com

1) Durante o banho, com as mamas ensaboadas, deslize as mãos sobre as mamas. Com os dedos juntos, use a mão direita para apalpar a mama esquerda e a mão esquerda para a direita.

2) Em frente ao espelho, observe: tamanho, posição, forma da pele, aréola e mamilo. Faça o mesmo controle com os braços levantados e mantidos atrás da cabeça.

3) Deitada, coloque uma toalha dobrada sob o ombro direito para examinar a mama direita. Inverta o procedimento para examinar o outro lado. Apalpe toda a mama através de suave pressão sobre a pele com movimentos circulares- Apalpe as axilas. Aperte o mamilo entre os dedos polegar e indicador e observe a presença secreção.

4) São sinais de alerta: nódulo da mama; deformação ou alteração no contorno natural da mama; saliência ou reentrância da pele; retração ou desvio do mamilo; vermelhidão na mama, mamilo ou aréola; caroço na axila. (fonte: Ministério da Saúde)


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Ufa, esse post foi longo! Mas merecido, afinal de contas suas mamas merecem atenção e cuidado, são lindas e devem permanecer saudáveis – e o mesmo se aplica a você ;-)


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  Responsável: Dra. Debora Paulo Santos     CRM-DF 12.728