Sensíveis e furiosas: a TPM e seus dramas


Mariazinha já acordou com a sensação de que algo iria dar errado naquele dia. E não é que ela tinha razão? Brigou com a mãe logo cedo porque ela tinha feito um bolo de chocolate (poxa, mãe, não te falei que estou de dieta?!), mas comeu 5 fatias do bolo mesmo assim; mais tarde, na escola, não conseguia se concentrar e levou uma bronca do professor de história, saiu chorando decidida a nunca mais voltar a estudar lá; por fim, encontrou com o namorado, que teve a audácia de perguntar se ela estava bem (Bem?! Beeeeem?! Que pergunta é essa? Claro que eu não estou bem, Júlio Augusto! Você não me conhece nada mesmo!). E ainda por cima doía a cabeça, os peitos estavam inchados, a barriga parecia a de uma grávida de 3 meses... AAAAAAAAARRRGHHHH!!!!...............


Respira fundo, Mariazinha. Pensa com calma: sua cabecinha está bem? Seu pavio está curto? Sua tolerância está zero? Os acontecimentos de hoje tinham realmente a dimensão que você achou, ou foi você que exagerou? Mariazinha, meu amor, você já percebeu que por 5 dias em cada mês você acha que o mundo conspira contra você? ÉÉÉÉÉ... Tô achando que isso é uma TPM das brabas...


E é isso mesmo, pobre Mariazinha. A TPM (tensão pré-menstrual), esse mini-monstro que todo mês assombra a nós e a todos os que nos rodeiam, é um conjunto de alterações físicas e emocionais que muitas mulheres apresentam pouco antes de menstruar, e que podem ser bem chatinhas. O Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras estima que 85% das mulheres que menstruam apresentam ao menos 1 sintoma da síndrome.


Ela geralmente se inicia até 1 semana antes da menstruação, mas em algumas pode chegar a 2 semanas antes. Há mais de 100 sintomas conhecidos de tensão pré-menstrual, e os mais frequentes são: mudanças de humor, irritabilidade, agressividade, tristeza sem motivo, choro fácil, sensibilidade ou dor nas mamas, dor de cabeça, inchaço, acne, desejo por algumas comidas (em especial doces), aumento do apetite ou da sede, cansaço, prisão-de-ventre ou diarréia. Você não precisa ter todos esses sintomas para ter TPM: se apresentar um ou mais deles poucos dias antes de menstruar e se eles melhorarem logo que sua menstruação descer, você pode ter a síndrome. A intensidade de cada um deles também varia muito, desde uma chaticezinha light até quadros graves, com muita agressividade, dores de cabeça que deixam a mulher de cama e tristeza intensa. Há, ainda, a cólica: embora sejam coisas diferentes, elas gostam muito de andar juntas. Para saber mais sobre cólicas, clique aqui.


Mas atenção: se os sintomas iniciarem muito antes do período menstrual (mais de 15 dias antes) ou se não melhorarem quando a menstruação descer, muito provavelmente não estão associados à TPM. Neste caso, procure um médico para investigar outras causas dessas alterações.


A principal causa para a TPM são as alterações dos hormônios femininos no ciclo menstrual, que diminuem muito antes da menstruação e essa diminuição tem consequências em todo o organismo. Outras causas também estão sendo estudadas, como alterações na química cerebral. Quadros já existentes, como depressão ou ansiedade, não causam a tensão pré-menstrual, mas costumam piorá-la.


E isso tem solução? Felizmente, sim. Várias atitudes contribuem para a melhora do quadro.


Mudanças de hábitos são o primeiro passo.

  1. Inclua grãos e fibras na dieta: ajudam o funcionamento intestinal e diminuem a absorção de açúcar e gordura.

  2. Diminua a ingestão de açúcar e gordura: eles pioram os sintomas.

  3. Diminua a ingestão de sal: ele piora a retenção de líquidos e, portanto, a dor da mama e o inchaço. Isso inclui salgados industrializados, macarrão lámen, enlatados, embutidos, pizza, shoyu...

  4. Tome muita, muita, muita água: ajuda na eliminação do sal, no funcionamento do intestino e do organismo como um todo.

  5. Faça pequenos lanches entre as refeições: isso ajuda a manutenção dos níveis de açúcar no sangue, aumentando a disposição diminuindo o mau humor.

  6. Reduza o consumo de cafeína (café, refrigerantes, chocolate): isso diminui a tensão, a irritabilidade e a dor nas mamas.

  7. Evite o consumo de bebidas alcoólicas e o tabaco: eles alteram sua química cerebral e pioram os sintomas.

  8. Inclua fontes de cálcio (ou suplementos) na sua dieta: Pesquisas mostram que o consumo de 1300mg de cálcio por dia ajuda a diminuir os sintomas da TPM. Isso equivale a 4 copos de leite/iogurte ao dia.

  9. Faça exercícios físicos aeróbicos (caminhada, bicicleta, esteira, corrida) por 30-60min/dia no mínimo 4 vezes por semana: ajudam a aumentar os níveis de dopamina/serotonina, que aumentam a sensação de felicidade e prazer. Diminuem, também, o inchaço.

  10. Durma bem, faça acupuntura e/ou yoga. Reequilibra o cérebro e o ajuda a funcionar melhor.


Se seus sintomas não melhorarem com as mudanças de hábito, um médico ginecologista pode te ajudar lançando mão de medicamentos para aliviar seu desconforto. Isso pode ser feito com suplementos vitamínicos (magnésio, ácido fólico, vitamina B6, Vitamina E, cálcio), fitoterápicos (remédios “naturais”, derivados de plantas), anticoncepcionais específicos para esses quadros e, em casos mais extremos, antidepressivos.


Cerca de 3-8% das mulheres, apresentam sintomas muito intensos no período pré-menstrual, por isso elas têm uma classificação à parte: possuam síndrome disfórica pré-menstrual. Elas apresentam ao menos 5 dos sintomas a seguir: quadros depressivos graves, por vezes com risco de suicídio, ansiedade extrema, ataques de pânico, choro incontrolável, agressividade além do que é socialmente aceito, falta de interesse em suas atividades diárias, muita dificuldade de concentração, cansaço extremo, dores musculares disseminadas e sensação de total falta de controle sobre si mesma. Essas pacientes têm diminuição de uma substância cerebral chamada serotonina, e essa queda é muito maior antes da menstruação. Nessas pacientes, embora as mudanças de hábito ajudem, o uso de medicação é essencial, em especial os antidepressivos, que aumentam os níveis de serotonina no cérebro.


Com toda essa informação, podemos ver que TPM não é frescura, piti e nem chatice: são alterações no nosso organismo que podem atrapalhar muito nosso dia-a-dia. Por outro lado, as pessoas que nos rodeiam não têm culpa disso, e não podem sofrer as consequências desse turbilhão de emoções. Então, cuide-se, moça. Pelo seu bem e pelo bem dos que te amam. ;-)

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