Ovários Policísticos: Que história é essa?


“Minha menstruação está muito bagunçada, e ultimamente comecei a ganhar peso e apresentar muitas espinhas. Minha irmã teve a mesma coisa, e o ginecologista disse a ela que ela tinha a síndrome dos ovários policísticos. Será que eu também tenho?” Recebi esta pergunta através do blog pequenasmulheres.com, de uma menina de 14 anos que, junto com sua mãe, autorizou a divulgação. Como essa é também a dúvida de muitas adolescentes e mulheres adultas, vamos falar um pouco sobre essa doença.


A síndrome dos ovários policísticos (SOP) está presente em 5-10% das mulheres entre 13 e 40 anos, é uma doença complexa e leva a várias alterações hormonais, menstruais, estéticas e em nosso metabolismo. É uma das principais causas de ausência de menstruação em meninas e mulheres que não estão grávidas.


A SOP pode se apresentar com diversos sinais e sintomas, sendo que a menstruação irregular (ciclos longos, com mais de 35 dias) é o mais frequente deles. Podem também estar presentes:


1. Presença de vários cistos (como se fossem bolinhas de água) nos ovários, levando ao aumento ovariano;

2. Acne e oleosidade da pele;

3. Queda de cabelo e oleosidade do couro cabeludo;

4. Excesso de pêlos, especialmente com padrão masculino (ver abaixo);

5. Excesso de peso;

6. Aumento do colesterol;


7. Aumento dos níveis de açúcar no sangue;


8. Dificuldade para engravidar;


Em mulheres não tratadas por muitos anos, há o aumento do risco de doenças mais graves, como:

* Diabetes tipo 2;

* Doenças cardíacas;

* Câncer de endométrio (a camada interna do útero);

* Pressão alta;

* Esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado);

* Hemorragia uterina.


Cada menina/mulher pode ser afetada em graus diferentes pela SOP, desde ciclos irregulares com acne discreta, até quadros complexos, com muitos sintomas em grande intensidade. A presença de um ou mais sintomas indica, mas não confirma a síndrome; nem mesmo uma ecografia afirmando que seus ovários têm aspecto micropolicístico significa que você tem SOP: apenas a avaliação do seu ginecologista pode confirmar ou descartar a doença.


A causa exata da síndrome ainda não ficou definida, mas sabemos que há uma rede complexa de alterações de hormônios e de metabolismo que levam ao aumento dos hormônios masculinos e aumento da insulina (responsável por fazer nosso organismo utilizar bem os açúcares); mas várias outras alterações químicas estão envolvidas. Já se sabe que há um aumento da chance de uma menina ter SOP se alguma outra mulher na família (mãe, irmãs) tiverem a doença, mas há pacientes que são a única na família a ter a síndrome.


Felizmente, o tratamento é possível e costuma ser bem efetivo. Ele é feito com anticoncepcionais e outros medicamentos para o controle dos hormônios, perda de peso, atividade física, mudanças nos hábitos alimentares e, às vezes, remédios para o controle do açúcar e do colesterol. Quanto mais cedo descobrirmos a SOP, melhor podemos controlar as suas alterações e diminuir as consequências da doença, mantendo, então uma vida equilibrada e saudável.

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  Responsável: Dra. Debora Paulo Santos     CRM-DF 12.728